sexta-feira, 14 de abril de 2023

Agência Brasil explica diferença entre novo arcabouço e teto de gastos

Novas regras limitam crescimento de gastos entre 0,6% e 2,5% ao ano

Com previsão de ser encaminhado ao Congresso Nacional na próxima semana, o novo arcabouço fiscal substituirá o teto de gastos que vigora desde o fim de 2016. Mas, afinal, qual a diferença entre a futura regra e a atual?

Na última quarta-feira (5), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a União teria de cortar R$ 30 bilhões em despesas obrigatórias em 2024, caso o teto fosse mantido. Segundo ele, os cortes atingiriam não apenas gastos discricionários (não obrigatórios), como água, luz, internet, material de escritório e telefone, mas também afetariam programas sociais.

"Se mantido o teto de gastos, teríamos que fazer corte não mais sobre despesa discricionária. Teríamos de cortar R$ 30 bilhões das despesas obrigatórias se [o teto] fosse mantido a partir de 2024. Para subvencionar custeio?", explicou o ministro em evento a um banco de investidores.

Para entender o que mudará com o novo arcabouço, é necessário compreender o processo que levou à inviabilidade da continuação do teto de gastos.

Teto de gastos
Promulgado com previsão de durar 20 anos, o teto federal de gastos limita o crescimento dos gastos primários da União pela inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As despesas executadas em 2016 passaram a ser corrigidas pelo indicador todos os anos, com a inflação sendo aplicada sobre o limite do ano anterior.

A Constituição permite que o teto seja extrapolado em alguns casos: créditos extraordinários (relacionados a gastos emergenciais), capitalização de estatais não dependentes do Tesouro (mecanismo usado para sanear problemas financeiros ou preparar empresas para a privatização), gastos da Justiça Eleitoral com eleições e transferências obrigatórias da União para estados e municípios.

Dentro do limite global, há limites para os Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União, com alguns órgãos dentro dessas categorias também obedecendo a sublimites. Até 2019, o Poder Executivo compensou eventuais estouros dos demais poderes num cronograma de transição.

Segundo o teto de gastos, em 2026 o indexador seria revisto, podendo ser maior que a inflação. Até 2020, a correção era feita tendo como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre julho de dois anos antes e junho do ano anterior. Com a Emenda Constitucional dos Precatórios, promulgada em 2021, o índice passou a considerar a inflação cheia do ano anterior.

Entre janeiro e junho, vale a inflação efetiva do primeiro semestre. De julho a dezembro, vale uma projeção para o IPCA, valor que é compensado quando o índice cheio do ano anterior é divulgado, em janeiro do ano seguinte. Na ocasião, a mudança teve como objetivo liberar R$ 64,9 bilhões no Orçamento de 2022, ano eleitoral.

Diferentemente de outros países, o teto de gastos brasileiro não tem válvulas de escape como exclusão de investimentos (obras públicas e compra de equipamentos) e gastos sociais da regra. Outra possibilidade de escape é a suspensão da regra em momentos de baixo crescimento da economia, como ocorre no Peru.

No país vizinho, país que adota o teto de gastos desde 1999, a despesa não é simplesmente corrigida pela inflação. Os gastos podem ter crescimento real (acima da inflação) de 2% nos primeiros anos e de 4% a partir de 2004.

Emenda Constitucional da Transição
Sem válvulas de escape no Brasil, a Constituição foi modificada várias vezes desde 2019 para permitir furos no teto de gastos, envolvendo R$ 828,41 bilhões fora do limite. Desse total, a maior parte correspondeu ao Orçamento de Guerra para enfrentar a pandemia de covid-19 em 2020. Foram R$ 507,9 bilhões, segundo cálculos do economista Bráulio Borges, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

Com a liberação de R$ 108,46 bilhões pela Emenda Constitucional dos Precatórios e de mais R$ 41,2 bilhões com a Emenda Constitucional que elevou o Auxílio Brasil para R$ 600 e criou auxílios para taxistas e caminhoneiros, o teto de gastos estouraria em 2023. Para evitar a paralisia do Orçamento deste ano, o governo eleito articulou a aprovação da Emenda Constitucional da Transição.

Promulgada em dezembro do ano passado, a Emenda Constitucional da Transição excluiu até R$ 168 bilhões do teto de gastos em 2023. Desse total, R$ 145 bilhões correspondem ao novo Bolsa Família com valor mínimo de R$ 600, e até R$ 23 bilhões poderão ser gastos em investimentos caso haja excesso de arrecadação.

Em troca da criação de mais um furo no teto de gastos. O texto, no entanto, estabeleceu a obrigatoriedade de o governo enviar - até agosto deste ano - um projeto de lei complementar com um novo arcabouço fiscal ao Congresso. Para permitir que o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024 seja enviado até 15 de abril, data estabelecida pela legislação, dentro do novo arcabouço, o governo decidiu antecipar a divulgação das novas regras.

Novo marco fiscal
Apresentado em 30 de março, o novo arcabouço fiscal combina regras de resultado primário (resultado das contas do governo sem os juros da dívida pública) e de controle de gastos. As despesas do governo poderão crescer entre 0,6% e 2,5% acima da receita do ano anterior em valores reais (corrigidos pela inflação).

Dentro dessa banda de 0,6% e 2,5%, os gastos poderão crescer até 70% da variação da receita do ano anterior. Segundo o Tesouro Nacional, o limite considerará a receita líquida, quando são descontados das receitas da União os repasses obrigatórios a estados e municípios.

Embora as despesas estejam submetidas a um limite de crescimento, existem diferenças marcantes em relação ao atual teto de gastos. Primeiramente, os gastos estão atrelados às receitas, o que cria um caráter pró-cíclico para o novo marco fiscal, em que as despesas crescem mais quando o governo arrecada mais e caem quando a arrecadação recua. No Brasil, o teto de gastos é contracíclico, limitando os gastos quando a arrecadação aumenta e, como não tem válvulas de escape, é pró-cíclico em momentos de recessão, porque os gastos também diminuem quando a economia se contrai.

A segunda diferença diz respeito ao crescimento. Com o teto de gastos, as despesas não podiam crescer acima da inflação. Pelo futuro arcabouço fiscal, os gastos sempre crescerão mais que a inflação. Em momentos de recessão ou de baixo crescimento, crescerão menos, mas, ainda assim, acima do IPCA.

Definição
Neste feriado, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento estão definindo o período a ser levado em conta para corrigir a receita. Inicialmente, as duas pastas tinham afirmado que o intervalo consideraria a receita entre agosto do ano anterior e julho do ano atual.

No entanto, posteriormente, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, informou que o intervalo será entre julho do ano anterior e junho do ano atual, para dar tempo ao governo de preparar o projeto do Orçamento do ano seguinte dentro dos novos limites. O período de correção só será conhecido após o envio do texto final ao Congresso

Além do limite para gastos, o novo arcabouço prevê metas de resultado primário que poderão ser fixadas a cada quatro anos em cada mandato presidencial. Com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos, o governo prevê déficit primário de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, resultado zero em 2024 e superávit de 0,5% do PIB em 2025 e de 1% em 2026. Caso o limite inferior da banda seja descumprido, haverá um mecanismo automático de punição, que reduzirá o crescimento de 70% para 50% da variação da receita no ano seguinte.

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC

Estudo identifica distorções em impostos que incidem na cesta básica

Ultraprocessados entram na lista de alimentos e têm alíquota menor

Estudo feito pelos economistas Arnoldo de Campos e Edna Carmelio, em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a ACT Promoção da Saúde, identificou uma série de distorções em impostos incidentes sobre a cesta básica do brasileiro. A pesquisa envolveu tanto tributos federais quanto estaduais.

O estudo analisou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Distrito Federal, do Paraná, de São Paulo, da Bahia e do Amazonas e, no âmbito federal, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além das tributações do PIS/Cofins (Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social).

"Os estados têm uma regra guarda-chuva que vem do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que tem dois principais convênios específicos sobre cestas básicas", disse à Agência Brasil o economista Arnoldo de Campos. "São regras gerais que autorizam estados e municípios a isentar ou a reduzir alíquotas [de itens] da cesta básica."

O Confaz estabelece diretrizes gerais, mas cada estado, quando adere ao convênio, faz uma lista e define o que entra na isenção e na redução de imposto. De acordo com Campos, a maioria é de alimentos de interesse da cesta básica. "Mas encontram-se também alimentos ultraprocessados. Em alguns estados, encontram-se carne enlatada, salsicha, macarrão instantâneo e bebida láctea que, não necessariamente, deviam estar usufruindo de benefícios fiscais."

Restrições
Arnoldo de Campos argumentou que, muitas vezes, produtos que são importantes para pessoas com restrições alimentares, como farinha de aveia ou farinha de arroz, para quem tem intolerância ao trigo, têm alíquotas mais altas e são considerados "alimentos de rico". O economista lamentou que produtos da biodiversidade, que são alimentos regionais, não façam parte da cesta básica. "Há vários tipos de distorções: tem benefício para miojo e não tem para esse tipo de alimento que, para muita gente, é básico."

O estudo constatou diferenças principalmente na lista de produtos e nas alíquotas. O Amazonas aderiu a um dos convênios que incluem redução do imposto. "Mas é a menor redução. O Amazonas hoje tem a maior carga tributária em cima da cesta básica", afirmam os economistas. Alguns itens, caso venham de outros estados onde não haja produção local, como o feijão, caem em uma regra geral de maior alíquota. Outros estados, como o Paraná, já ensaiam alguns itens na cesta básica, como a farinha de aveia. "Tem um pouco mais de preocupação de diversificar e ampliar a lista."

Em São Paulo, a regulamentação do ICMS concede isenção tributária para produtos como margarina e creme vegetal, apresuntados, biscoitos e bolachas, além de linguiças, salsichas e mortadelas, por considerá-los "essenciais", de acordo com a legislação brasileira.

Arnoldo de Campos sugere mudanças na cesta básica, com atualização dos alimentos que a compõem, porque "tem pouca orientação e dá muita liberdade para o estado aplicar como deseja". A ideia é ter uma cesta que mantenha a questão do alimento básico e saudável e inclua hortifrutigranjeiros in natura, ou minimamente processados, que hoje têm convênio separado, além de produtos regionais da biodiversidade, com mais variações para que possam ser enquadrados também.

Além disso, os economistas propõem que a reforma tributária que está em discussão tenha uma categoria de alíquota específica para a cesta básica. "A cesta básica tem que ter um tratamento tributário diferenciado", afirmou Arnoldo de Campos.

Prejuízos à saúde
A nutricionista Janine Giuberti Coutinho, coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, destacou que a incorporação paulatina de ultraprocessados na cesta básica ao longo dos anos tem prejudicado a saúde da população brasileira. Estudos científicos associam a ingestão desses produtos ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Em pesquisa recente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) diz que o consumo de ultraprocessados está diretamente relacionado a 57 mil mortes de brasileiros por ano. "Mortes prematuras", ressaltou Janine, em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com Janine, o problema foi levado ao governo de transição e está sendo discutido agora com o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. "Estamos em conversa com a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional para proposição de uma nova cesta básica, retirando os itens ultraprocessados do rol de alimentos básicos acessíveis para a população brasileira."

Para a economista, o assunto precisa ser articulado também com o Ministério da Saúde. O Idec e a ACT Promoção da Saúde pretendem levar o tema para discussão nos conselhos nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional Consea) e de Saúde (CNS) e Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, que integra o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

A sociedade brasileira precisa saber que existem distorções na cesta básica e que há isenção de tributos em produtos que fazem mal para a saúde, disse Janine. "É preciso trazer essas informações para a sociedade brasileira e a discussão para fóruns importantes de modo que a política da cesta básica seja alinhada à alimentação saudável e sirva de base ao Guia Alimentar para a População Brasileira".

Janine afirmou que não faz sentido haver isenção de impostos para produtos nos quais há evidências de risco para a saúde. Com a nova regra, a ideia é que os produtos in natura ou minimamente processados sejam o carro-chefe dos itens considerados essenciais na dieta brasileira.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC

terça-feira, 4 de abril de 2023

Ernest Young é multada e proibida de realizar algumas auditorias na Alemanha

Decisão vem após escândalo da Wirecard

A entidade reguladora de auditoria da Alemanha aplicou nesta segunda-feira (3) uma multa de 500 mil euros à EY, auditora da empresa de pagamento Wirecard entre 2016 e 2018, e proibiu a companhia de realizar novas auditorias a empresas de interesse público por dois anos.

A EY disse em um e-mail que foi informada pela Apas, a entidade reguladora, que uma investigação sobre a empresa havia sido concluída, mas que não foi informada sobre os detalhes da decisão.

A Apas disse em comunicado que impôs sanções à empresa responsável pela auditoria da Wirecard e a cinco auditores individuais, sem se referir à EY pelo nome. O relatório anual da Wirecard cita a EY como auditora para aquele período.

A Wirecard entrou com pedido de insolvência em junho de 2020, devendo aos credores quase US$ 4 bilhões, depois de divulgar um rombo de 1,9 bilhão de euros em suas contas que a EY disse ser resultado de uma fraude global sofisticada.

A empresa, fundada em 1999, começou processando pagamentos para sites de jogos de azar e pornografia antes de se tornar uma estrela fintech e um membro do índice de blue chips DAX, da Alemanha.

A Apas encontrou violações dos deveres pela auditora em conexão com o escândalo, disse a entidade.

A decisão proíbe a auditora de participar de licitações para a auditoria de determinadas empresas por dois anos, incluindo todas as empresas listadas, bem como a maioria do setor financeiro, composto por bancos e seguradoras.

Fonte: Invest News

sábado, 1 de abril de 2023

Fazenda prepara anúncio sobre tributação de setores que não pagam impostos

Ministro da Fazenda acenou com medidas para acabar com o que chamou de "jabutis tributários"

A equipe econômica elencou parte dos "jabutis tributários" a serem enfrentados pelo governo. Na entrevista coletiva que anunciou o novo marco fiscal, na quinta-feira (30), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse que "se quem não paga imposto passar a pagar, todos nós pagaremos menos juros".

Na ocasião, o ministro acenou com medidas para acabar com o que chamou de "jabutis tributários". A expressão foi usada por Haddad para se referir às ações da Fazenda para revisar benefícios e passar a cobrar tributos sobre alguns setores.

São eles:

Elisões de multinacionais que prestam serviço no Brasil, mas faturam em sedes em offshore Exterior (Google, Facebook, Petrobras);

- Preço de transferência na exportação para paraísos fiscais do setor de soja;

- Apostas online;

- Regimes Tributários Especiais;

- Contribuição social sobre o lucro líquido (CSSLL) para empresas que tem benefícios de ICMS;

- Tributação de fundos exclusivos;

- Fim do juro sobre capital próprio (JCP);

- Taxação de encomendas importação de pequeno valor para pessoa física (empresas chinesas especialmente).

A nova regra fiscal prevê que os gastos do governo não podem ter crescimento acima de 70% do crescimento da receita. Com isso, o avanço das despesas depende diretamente do aumento da arrecadação.

Fonte: CNN Brasil

Timor-Leste participa no 10.º Fórum da Ásia-Pacífico sobre Desenvolvimento Sustentável

O Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Manuel Leite Magalhães, está a participar, em representação do Governo de Timor-Leste, no 10.º Fórum da Ásia-Pacífico sobre Desenvolvimento Sustentável, organizado pela Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UN-ESCAP), que teve início hoje dia 27 de março e decorre até ao próximo dia 30, em Banguecoque, na Tailândia.

Durante o primeiro dia do evento, o Ministro Fidelis Magalhães discursou sobre o tema "Acelerar a recuperação da pandemia da COVID-19 e a plena implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável na Ásia e Pacífico", tendo destacado a situação atual de Timor-Leste relativamente à pandemia e as estratégias utilizadas para enfrentar os desafios.

O Ministro enfatizou que este fórum decorre numa altura no mundo se "confronta com várias crises globais, incluindo as consequências da pandemia de COVID-19", e que "os desafios das mudanças climáticas e da guerra na Ucrânia agravaram ainda mais estas crises, tornando ainda mais difícil o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030 na região da Ásia-Pacífico".

"Para enfrentar essas questões urgentes", Fidelis Magalhães afirmou que "é fundamental garantir que as populações mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres, pessoas com deficiência e idosos, tenham acesso a alimentos, água e cuidados de saúde", por isso o Governo implementou várias estratégias, como os programas de proteção social "Cesta Básica e Bolsa da Mãe, pagamentos pontuais em dinheiro, a Estratégia Nacional de Proteção Social, o Plano de Ação Nacional Consolidado para Segurança Alimentar e Desnutrição e o Plano Estratégico Nacional de Nutrição do Sector da Saúde de Timor-Leste 2021–25".

O Governante defendeu que "para preparar uma força de trabalho qualificada, saudável e competitiva", "é vital transformar os sistemas de energia e de alimentação de uma forma ecológica e inclusiva que melhore a resiliência a futuros choques", bem como "criar empregos verdes e azuis, diversificar a economia e investir em meios de subsistência essenciais, como saúde e educação".

Fidelis Magalhães assumiu ainda que "um ambiente favorável ao investimento do sector privado é essencial para uma pequena economia insular como Timor-Leste" e que "existem oportunidades para trazer investimentos para o crescimento do sector privado, incluindo parcerias público-privadas para a economia azul, financiamento climático e créditos de carbono".

O Ministro terminou a sua intervenção, assegurando que "Timor-Leste está empenhado em acelerar a sua recuperação da pandemia de COVID-19, mantendo o alinhamento com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável" e que "com o apoio da comunidade internacional, podemos sair mais fortes desta crise e construir um futuro mais sustentável e próspero para o nosso povo".

Fonte: Governo de Timor Leste

Angola-Executivo cria condições para instalar fábricas de transformação no país

O Executivo angolano está empenhado em criar, cada vez mais, condições para que os empresários possam instalar fábricas de transformação que funcionem com regularidade para aumentar os níveis de produção, suprir as necessidades do mercado nacional e garantir a diversificação das exportações.

Esta afirmação foi feita pelo ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes, durante a abertura da 5.ª Edição da Expo-Indústria 2023, feita pelo Presidente da República, João Lourenço, esta quarta-feira, 29 de Março, na Zona Económica Especial (ZEE), no município de Viana, em Luanda.

"Estamos a trabalhar para que a agroindústria permita a autossuficiência alimentar do nosso país, sendo essa uma das vias, mas não a única, de se promover o aumento da produção, tanto agrícola como industrial, o que possibilitará a redução da dependência das importações e a criação de mais empregos", disse.

Segundo Victor Fernandes, a Expo-Indústria está de volta a Angola, como uma excelente oportunidade para reflectir sobre as capacidades do país.

"Após três anos de ausência, Angola volta a receber a Expo-Indústria, que regressa na sua quinta edição. A sua abertura é propícia para uma profunda reflexão sobre as potencialidades do nosso país, a necessidade de relançamento do parque industrial, assentes nas políticas de desenvolvimento rumo à diversificação económica, assim como à criação de empregos e de empresas cada vez mais competitivas", frisou o ministro.

De acordo com o governante, a quinta edição da Expo-Indústria conta com 238 expositores nacionais e internacionais, que representam sete províncias. Os principais sectores da exposição congregam o agro-negócio com 8 por cento, artesanato 10, a banca e seguros 5, comércio e distribuição 12, construção civil 22, indústria mobiliária 5, têxtil 11, petróleo e gás 8, restauração 11, e outros serviços 15 por cento.

O titular da pasta deu a conhecer que o sector da Indústria e Comércio tem em marcha o Plano de Desenvolvimento Industrial de Angola, que sistematiza as orientações das políticas orientadas pelo Presidente da República, dado o seu papel na diversificação da economia e na ampliação dos investimentos tanto públicos como privados neste domínio.  

Entre vários projectos já em curso, destacam-se a operacionalização dos pólos do desenvolvimento industrial, os parques industriais rurais e o plano de desenvolvimento integrado do comércio rural.  

 "Este plano, entre outros factores, está a potenciar o comércio e a indústria através dos operadores de transporte de mercadorias, reduzindo as limitações de acesso dos produtores aos mercados e aumentando, em quantidade e qualidade, o acesso do comércio e da indústria aos bens primários", explicou.

O ministro acrescentou que dos 22 pólos industriais projectados, sete já se encontram em funcionamento nas províncias de Luanda, Benguela, Cabinda, Huambo, Malanje, Bié, Uíge e Cuanza Norte, com uma área média reservada de mil a dois mil hectares em cada um deles.

Victor Fernandes referiu que dos dez parques industriais rurais previstos para construção, apenas três se encontram infra-estruturados e em funcionamento, designadamente o de Cacuso, em Malanje, o do Tomboco, no Zaire e o da Canjala, em Benguela.

Segundo o governante, a Expo-Indústria é um dos maiores eventos do género que se realiza em Angola, com reconhecimento internacional e já assegurou, definitivamente, a sua condição de montra industrial nacional.  

"É uma verdadeira vitrina da robustez da transformação, enquanto produção nacional, do consistente comércio e do emergente sector industrial" expressou.

Fonte: Governo de Angola

Adesão a Programa Litígio Zero é prorrogada até 31 de maio

Novo prazo atende a reivindicação do setor de contabilidade

Os contribuintes que devem à União ganharam mais dois meses para renegociarem o débito. O Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal, também conhecido como Litígio Zero, teve o prazo de adesão prorrogado para as 19h de 31 de maio. O prazo original acabaria nesta sexta-feira (31).

O adiamento consta de uma portaria conjunta da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

Em nota, a Receita Federal informou que o adiamento foi pedido por entidades do setor de contabilidade. Além do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), reivindicaram a extensão do prazo a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) e o Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon).

Programa que estende à Receita Federal o modelo de transações tributárias disponível desde 2020 para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o Litígio Zero permite a renegociação de dívidas tributárias baseada na capacidade de pagamento do contribuinte, em troca da desistência de ações na Justiça (no caso de débitos inscritos na Dívida Ativa da União) ou de contestações administrativas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão que julga na esfera administrativa débitos com o Fisco.

A adesão pode ser pedida por meio de processo digital no Centro de Atendimento Virtual da Receita Federal (e-CAC). O acesso ao e-CAC exige conta no Portal Gov.br nível prata ou ouro, certificação digital (no caso de empresas) ou um código especial que pode ser obtido mediante o número do recibo da última declaração do Imposto de Renda (para pessoas físicas).

Anunciado em janeiro pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma das medidas para recompor o caixa do governo , o Litígio Zero prevê a renegociação em condições especiais de dívidas com a União. As adesões começaram em 1º de fevereiro.

Embora o programa funcione de forma similar aos tradicionais Refis, existe uma diferença porque a concessão de descontos ocorrerá com base no tamanho do débito e no tipo de contribuinte. As dívidas – consideradas créditos do ponto de vista do governo – serão classificadas com base na facilidade de serem recuperadas pela União, sendo: créditos tipo A (com alta perspectiva de recuperação); créditos tipo B (com média perspectiva de recuperação); créditos tipo C (de difícil recuperação); ou créditos tipo D (irrecuperáveis).

Descontos
As pessoas físicas, micro e pequenas empresas com dívidas abaixo de 60 salários mínimos poderão obter descontos de 40% a 50% sobre o valor total do débito, com prazo de até 12 meses para pagar.

Para empresas que devem mais de 60 salários mínimos, haverá um desconto de até 100% sobre multas e os juros para dívidas consideradas irrecuperáveis e de difícil recuperação. Essas pessoas jurídicas poderão ainda usar prejuízos de anos anteriores para abater de 52% a 70% do débito.

Qualquer que seja a modalidade de pagamento escolhida, o valor mínimo da prestação será de R$ 100 para a pessoa física, de R$ 300 para a microempresa ou a empresa de pequeno porte, e de R$ 500 para pessoa jurídica. O número de prestações deverá se ajustar ao valor do débito incluído na transação.

O Litígio Zero também prevê o fim dos recursos de ofício dentro do Carf para valores abaixo de R$ 15 milhões. Nesses casos, quando o contribuinte vencer em primeira instância, a Receita Federal deixará de recorrer, encerrando o litígio. De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida extinguirá quase mil processos no Carf, no valor total de R$ 6 bilhões, e ajudará a desafogar o órgão para o julgamento de grandes dívidas.

A Receita Federal preparou um guia para tirar dúvidas sobre o Litígio Zero. Mais informações sobre o programa podem ser obtidas aqui.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: EBC  https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2023-04/adesao-programa-litigio-zero-e-prorrogada-ate-31-de-maio#