Mais importante do que abrir um negócio próprio é conseguir mantê-lo. Para a maior parte dos microempreendedores, esse é um desafio enorme, que esbarra na falta de estratégia para o futuro. De cada dez micro ou pequenas empresas de Minas Gerais, sete não têm planejamento para os próximos três anos, aponta estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG).
"O plano de negócios é fundamental para a sobrevivência da empresa", diz o coordenador do MBA em empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios da FGV/IBS, Marcus Quintella. Nesse plano de negócios, estão inclusos desde a identificação de mercado para o produto, até a gestão e o planejamento de investimentos.
A analista de atendimento do Sebrae Minas Viviane Soares afirma que o erro mais clássico, que pode custar a sobrevivência de uma empresa, é a falta de conhecimento em gestão financeira. "E não estou falando só de microempreendedor individual. Não importa o tamanho, o empresário tem que ter controle", destaca.
Segundo Viviane, o maior problema é não separar as contas pessoais das contas da empresa, ou seja, não ter um fluxo de caixa organizado. "O empresário tem que ter em mente que ele é um empregado, mas que o seu salário não são as retiradas que faz toda hora. Ele tem que saber o que a empresa gasta, pois, se precisar cortar despesas, saberá de onde tirar", afirma.
Viviane lembra que o controle financeiro vai interferir diretamente na formação de preço e evitar erros que podem fisgar boa parte do faturamento e gerar prejuízo. "Não é porque o vizinho cobra R$ 5 por algum produto que a pessoa tem que cobrar R$ 4,50 para pegar mais clientes. Tem que saber precificar", alerta.
Sem planejamento e com um problema de saúde, a costureira Adeilda dos Reis, 53, da vila São João Batista, região de Venda Nova, vai encerrar sua atividade formal antes de começar. Ela se cadastrou no microempreendedor individual em março deste ano, mas não chegou a usufruir de nenhum benefício. "Nem comecei", diz ela.
"Quando a pessoa não planeja e não pensa na empresa como um negócio, ela não tem chance nenhuma de crescer. Sem controle financeiro, fica muito difícil, perde-se oportunidade e não se sai do lugar", afirma Viviane. Segundo a analista, não basta ter um produto ou serviço bom. "Se não há visão de futuro, a empresa não sai da mesmice", destaca Viviane.

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